A LIGA PORTUGUESA 2006-2007 de A a Z

Seguindo aquilo que já vem sendo uma tradição deste espaço, avançamos hoje para um balanço da Liga Portuguesa 2006-2007 de A a Z.

A de ADRIANO – Não se fala muito dele na hora de escolher as principais figuras do F.C.Porto, mas o que é certo é que o ponta-de-lança portista (um dos mais genuínos a jogar em Portugal) marcou onze golos em apenas treze jogos - esteve fora das opções durante toda a primeira volta, chegando a ser dado como dispensado -, revelando-se uma das unidades mais importantes da equipa nos momentos decisivos, nos quais, à semelhança da época passada, foi ele a garantir alguns providenciais golos com que os portistas foram ultrapassando difíceis obstáculos.

B de BELENENSES – Fora da órbita dos três grandes, foi ao Belenenses que coube a maior fatia do protagonismo nesta temporada. Jesus preparou a equipa sem saber em que divisão jogaria e a verdade é que, surpreendentemente, os azuis do Restelo foram em muitos momentos aqueles que melhor futebol praticaram, terminando em quinto lugar e com uma louvável presença na final da Taça. Veremos que sequência será dada a este trabalho, e sobretudo se Jesus (e os seus principais jogadores) vai resistir às ofertas que por aí se vão ouvindo.

C de CANTERA – A cantera de Alcochete continuou a dar cartas nesta época, revelando novos talentos como Miguel Veloso, Yannick Djaló, confirmando Nani e Moutinho, e dando episódico protagonismo a outros como Pereirinha, Ronny ou Rui Patrício. Nela residiu a alma e a força de um Sporting renascido para os êxitos, e que parece ter encontrado em Paulo Bento o homem ideal para dar a estes jovens sequência competitiva ao mais alto nível. Mais à frente falaremos individualmente de alguns dos novos prodígios da cantera leonina.

D de DERLEI – Trata-se de um case-study acerca do mais irracional comportamento dos adeptos de futebol. O “Ninja” chegou ao Benfica rotulado de grande aquisição, mas foram os próprios benfiquistas que desde início lhe condicionaram o rendimento, ao devotar-lhe uma animosidade tão incompreensível como contraproducente aos interesses da equipa. Já havia acontecido com Beto, e antes com jogadores como Maniche, Abel Xavier e Vítor Paneira, que saíram da Luz pela porta do cavalo para brilharem noutros clubes. Um comportamento a rever por aqueles que se auto-intitulam benfiquistas, mas que se comportam como o mais feroz dos adversários para com os seus jogadores.

E de EQUILÍBRIO – Foi de facto um campeonato marcado por algum equilíbrio, mas profundamente segmentado. Os três grandes discutiram somente entre si os três primeiros lugares, não encontrando grandes dificuldades na maioria dos seus jogos. Os três últimos discutiram desde cedo a despromoção (acabando por descer os dois que haviam subido), e apenas na luta pela Europa houve um mais amplo lote de pretendentes.
A maioria das equipas foi vítima da profunda descapitalização financeira e desportiva do nosso futebol, que tem levado à emigração massiva de futebolistas de nível médio para segundas divisões estrangeiras, ou campeonatos como o romeno e o cipriota
Quem disse que há muito se não via tamanho equilíbrio não deve estar lembrado do campeonato de 2004-05, que o Benfica venceu nos últimos minutos do último jogo, e que a poucas jornadas do final contava com cinco (!) candidatos ao título (Boavista e Braga intrometeram-se durante quase toda essa época na luta pelos primeiros lugares). Esta temporada, só uma quebra do F.C.Porto permitiu que a Liga não se encontrasse decidida no final da primeira volta (!), pelo que o equilíbrio não foi de modo algum total nem constante.

F de FORA – Foi impressionante a carreira do Sporting fora de casa. Nenhuma derrota, melhor defesa (apenas seis golos sofridos, sendo três deles no mesmo jogo), mais pontos, nove vitórias em quinze jogos. Bem se pode dizer que foi em Alvalade que o Sporting perdeu o campeonato.
Estes números são bem elucidativos da solidez do modelo de jogo imposto por Paulo Bento, no qual todos defendem com o mesmo rigor e empenho, e em que as transições se fazem com uma geometria assinalável.

G de GOLOS – Os golos nada quiseram com Nuno Gomes durante grande parte da temporada. Depois de um início menos mau, em vinte e dois jogos o avançado encarnado apenas marcou três golos, fraquíssimo pecúlio para quem tem por missão comandar o ataque de um pretendente ao título. Veio-se a saber, tardiamente, que o jogador fora acometido de uma perturbadora pubalgia, quando já se falava em dispensa e a Luz entoava intensos assobios às prestações do “vinte e um”. Alguns falhanços ficaram na retina, como aquele frente ao Espanhol, que teria valido a continuação da carreira europeia do clube.

H de HÉLDER POSTIGA – Que se saiba não padeceu de qualquer lesão inibidora, mas mesmo assim, se à 14ª jornada contabilizava dez golos e liderava a lista dos artilheiros, quase por aí se ficou, marcando apenas mais um golo nos restantes dezasseis jogos, nos quais chegou a nem sequer ver o seu nome entre os convocados. Um estranho caso este, de um ponta-de-lança talentoso, mas cujo rendimento tarda em estabilizar.

I de INACREDITÁVEL – Foi de facto espantosa a sequência de golos nos primeiros instantes das partidas que o Sporting conseguiu na fase final do campeonato. Nas últimas seis jornadas da Liga, e nas últimas três eliminatórias da taça, o Sporting conseguiu sempre marcar nos primeiros dez minutos, e em várias dessas ocasiões logrou mesmo dilatar a vantagem dentro desse mesmo período, num caso verdadeiramente digno de bruxas. Contra o Marítimo conseguiu um golo aos doze segundos de jogo, e com apenas três toques na bola, o que se não é record mundial anda lá muito perto.
É ponto assente que ninguém merece marcar aos dois minutos de qualquer jogo, mas para além das facilidades aqui e ali concedidas, a equipa de Paulo Bento teve o mérito de entrar decidida e forte em quase todas essas partidas, lançando-se sobre o adversário como feras esfomeadas, fazendo jus ao leão que ostenta como símbolo. Assim passou os últimos dezassete jogos da época sem se ver vez alguma em situação de desvantagem, ficando a dúvida de como reagiria se assim voltasse a acontecer. Não por acaso, as duas últimas derrotas do Sporting aconteceram em casa com Benfica e Spartak de Moscovo, em jogos nos quais foram os adversários a marcar nos instantes iniciais…

J de JOGOS GRANDES – Se por vezes é do senso comum dizer-se que os campeonatos se decidem contra os pequenos, desta vez a base estatística para essa afirmação é insofismável.
Nos embates entre grandes o equilíbrio foi total, com apenas uma vitória para cada um dos candidatos, e empates nos restantes enfrentamentos, onde a qualidade, diga-se, foi de um modo geral bastante aceitável.
Curiosamente foi o F.C.Porto a sentir mais dificuldades para alcançar a sua única vitória nos quatro confrontos com os rivais, só a conseguindo ao quarto minuto de descontos. Benfica em Alvalade e Sporting no Dragão venceram e convenceram, em dois dos melhores momentos dos clubes lisboetas ao longo da época.

K de KATSOURANIS – Não fosse um final de época marcado pelo desgaste físico e estaríamos perante uma das grandes figuras do campeonato. De facto, o grego – que até havia começado mal - chegou a ser a grande bandeira do fulgor benfiquista na fase da recuperação da águia. Nos primeiros onze jogos marcou cinco golos, chegando a ser o melhor concretizador da equipa, para além de uma pedra basilar no equilíbrio táctico alcançado por Fernando Santos.
A próxima época ditará se estamos mesmo perante um craque, ou se a irregularidade física irá continuar a condicionar a sua contribuição para a equipa – ele que, como o próprio Fernando Santos disse, estava habituado a fazer menos de trinta jogos por época, e nesta, contando com a sua selecção, teve de efectuar quase sessenta.
Curiosamente foi outro K, mas do compatriota Karagounis, que melhor acabou a época no Benfica, mostrando finalmente os argumentos que fizeram dele uma das contratações mais sonantes do Benfica na época anterior.

L de LESÕES – Como talvez nunca antes tinha acontecido, esta temporada foi marcada claramente pelas lesões.
Quando se enaltece o Sporting como a equipa que melhor jogou (e foi-o), esquece-se o aspecto fundamental que foi a sequência de graves lesões que afastaram dos relvados as principais figuras de Benfica e Porto em fases cruciais da época.
As ausências de Luisão (falhou às últimas onze jornadas), Simão (falhou as últimas quatro), Nuno Gomes (falhou as últimas três), Rui Costa (falhou quase toda a primeira volta), Miccoli (falhou as cinco jornadas iniciais) bem como as ausências pontuais de Katsouranis, Karagounis, Petit, Quim, Léo, os crónicos problemas de Mantorras, e o castigo de Nuno Assis, deixaram um plantel benfiquista já de si curto, perfeitamente dizimado e com poucas condições de competir ao nível a que se propunha.
Mais a norte foram Pedro Emanuel e Sokota (toda a época), Anderson, Bruno Moraes, João Paulo e Ibson (uma volta inteira), Pepe (cinco jogos em fase crucial), Lisandro (reiteradas lesões), Raul Meireles e Paulo Assunção (ausências em fase crucial) e os castigos de Quaresma a limitarem um F.C.Porto, cujo plantel todavia permitia soluções de capazes de maquilhar o rendimento da equipa.
Só o Sporting foi feliz neste particular, tendo apenas de se queixar da lesão de Tonel (que com ela perdeu a titularidade), e na fase final da época de um Carlos Bueno que, salvo o episódio-Nacional, nunca se afirmou como titular.

M de MICCOLI – Livre de lesões a partir do início da segunda volta, o pequeno bombardeiro tornou-se rapidamente na figura maior do futebol benfiquista, ultrapassando mesmo em dada altura Simão como principal veículo de ataque dos encarnados, e alvo da paixão dos adeptos que com ele estabeleceram uma relação de grande empatia.
Nos últimos cinco jogos marcou cinco golos, o que deixa a suspeita de que, caso tivesse jogado na sua plenitude física desde o início, talvez a “Bola de Prata” fosse agora sua. Foram dele (a par talvez de Quaresma) alguns dos mais deliciosos momentos de inspiração individual que a liga portuguesa nos ofereceu.
Pena é que a sua situação contratual não permita alimentar grandes esperanças de que continue de águia ao peito na próxima época. Será uma baixa de vulto num Benfica já de si carenciado no ataque.

N de NANI – Se João Moutinho foi a confirmação da época, e Miguel Veloso a grande revelação, Nani situou-se claramente como aquele que no universo dos jovens leoninos mais oportunidades terá de alcançar uma carreira internacional de top.
Já era titular na época anterior, neste foi muitas vezes a estrela (que início de época sublime!) e o catalizador de toda a criatividade do meio campo leonino - que na fase final contou também com um Romagnoli de eleição, mas cedo ficou privado da eterna esperança Carlos Martins.
Nani, pela sua magia, pela arte que coloca a cada movimento que faz em campo, e também pelas condições físicas que apresenta, tem tudo para se tornar a breve trecho na próxima grande exportação do futebol português. Assim a humildade o acompanhe.

O de OUTRAS EQUIPAS – Como de certa forma já ficou dito, o equilíbrio que permitiu chegar à última jornada com tudo por decidir não significou uma melhor qualidade da nossa Liga. Aparte o Belenenses e o Paços de Ferreira (de certo modo também o Sporting), creio que todas as restantes equipas se apresentaram pior esta época que na anterior. Os históricos Boavista, Marítimo e Vitória de Setúbal foram os casos mais flagrantes desta quebra competitiva, num universo onde os salários em atraso deixaram as suas negras marcas.
Estes e outros clubes foram vítimas da saída de grande parte dos seus jogadores mais importantes, (aqueles tipicamente de primeira divisão mas sem talento suficiente para chegar aos grandes), ficando reduzidas a estrangeiros de segunda, e alguns jovens ainda à procura do seu espaço.
Mas o problema é ainda mais amplo. Os quadros competitivos portugueses estão completamente desajustados a realidade actual do nosso país, e urge encontrar soluções. Num pais pequeno, pobre e em crise, a única forma de termos bom futebol e muito público é limitá-lo a um número restrito de equipas, capazes de aglutinar os adeptos em seu redor. Por outro lado nas divisões secundários, há que aumentar o número de jogos e de receitas, pelo que a solução deveria passar, por exemplo, por uma I divisão com dez clubes e quatro voltas, e uma II divisão segmentada geograficamernte e aumentada (quatro zonas de 22 equipas, por exemplo). Infelizmente outros interesses se levantarão, e nada disto será uma realidade…

P de PEPE – O central portista, que na época passada se havia revelado como jogador de craveira internacional, teve esta época a plena confirmação desse estatuto.
Cedo se vendo privado do experiente Pedro Emanuel a seu lado, Pepe assumiu a liderança do bloco defensivo portista, e tornou-se numa figura central do F.C.Porto e do campeonato.
No momento crucial da época, no Estádio da Luz, realizou uma portentosa exibição, marcando um golo que pode ter valido o título.
Alvo da cobiça de grandes clubes europeus, dificilmente se manterá no F.C.Porto por muito tempo.

Q de QUEBRA – A pausa natalícia foi apontada por muitos observadores como o factor determinante para a quebra de rendimento portista na segunda volta. Não creio que esse raciocínio seja absolutamente linear.
O F.C.Porto, salvo alguns jogos internacionais bem conseguidos (de onde avulta a partida de Moscovo), nunca demonstrou na Liga Portuguesa o poderio que os resultados a dada altura faziam supor.
Nessa primeira volta, à 7ª jornada, os portistas tinham os mesmos pontos perdidos que Benfica e Sporting. Daí até ao Natal , fase em que cimentaram uma larga vantagem, das suas sete vitórias, quatro foram tangenciais, duas delas nos descontos (Benfica e Nacional) e uma com um golo fora-de-jogo (Académica) – o triunfo sobre o Boavista foi aberto com um enorme “frango” do guardião adversário. Vale isto por dizer que essa sequência de resultados positivos deveu-se também em larga medida ao factor sorte (por vezes também às individualidades), raramente significando superioridade futebolística equivalente.
Na segunda volta o F.C.Porto viu apenas aproximar os seus resultados do seu real desempenho futebolístico, que em termos globais esteve longe de ser brilhante. Apenas os resultados foram constrastantes, chegando ainda assim para conquistar mais um título.

R de RICARDO QUARESMA – De entre os comandados de Jesualdo Ferreira, o melhor foi, como seria de esperar, Ricardo Quaresma. À semelhança da equipa também foi bem mais feliz na primeira volta, em que anotou seis golos, do que na segunda quando fez apenas um.
Para além dos golos, Quaresma esteve brilhante nas assistências, sendo o autêntico “abono de família” dos dragões, sobretudo no período imediatamente pós-lesão de Anderson, o tal das vitórias consecutivas.
Na ponta final decaiu muito, disso se ressentindo também a equipa, cujo processo ofensivo sem ele fica significativamente comprometido.

S de SIMÃO SABROSA – A grave e polémica lesão que o afastou dos derradeiros quatro jogos acabou por ofuscar um pouco uma época a todos os títulos notável. À data da lesão, Simão comandava a lista dos marcadores e quase todos os prémios individuais atribuídos pela comunicação social, e era claramente o melhor jogador da prova.
Simão conseguiu alhear-se de toda a controvérsia acerca da sua permanência não plantel e partir para a sua melhor temporada de sempre em termos individuais. Faltou-lhe apenas um título, que pelo trabalho que realizou, enchendo os relvados com uma classe ímpar e com uma entrega irrepreensível, bem merecia.

T de TREINADORES – De entre os treinadores da Liga, dois emergiram como aqueles cujo desempenho mais marcou as suas equipas. Paulo Bento guindou o “seu” Sporting a uma época bem positiva, repetindo o segundo lugar e conquistando a Taça no segundo ano da sua carreira, e assumindo-se assim como o mais promissor dos jovens treinadores portugueses de hoje. Por outro lado, Jorge Jesus vestiu-se de Mourinho dos mais pobres, ao pegar num Belenenses de segunda divisão (foi para isso que foi construído o plantel) e levá-lo à Uefa e ao Jamor. Trata-se de um treinador com um discurso pouco elaborado, com uma imagem algo fora dos ditames da moda, mas que percebe muito, muito de futebol.
Fernando Santos, o grande derrotado, terá uma época mais para mostrar se é ou não ganhador, e Jesualdo, sendo campeão, e tendo naturalmente algum mérito nisso, nunca conseguiu deixar vincada a ideia de ser efectivamente ele o progenitor do triunfo, mas sim de alguém que se limitou a apanhar o comboio certo.
José Mota trata-se de um caso especial de identificação com um clube que conhece como a palma das suas mãos.

U de UEFA – O que fica na história são os títulos e o posicionamento final das equipas, mas não é legítimo fazer o balanço desta Liga sem levar em linha de conta o desgaste que uns tiveram que suportar nas provas internacionais e outros não.
O Sporting, vendo-se eliminado das provas europeias em Dezembro – e vendo os sorteios da Taça de Portugal sorrirem-lhe com uma felicidade de todo fora do comum -, partiu para uma fase final de campeonato arrasadora. Ao contrário, o Benfica, quarto-finalista da Taça Uefa, prova na qual apostou muito da sua temporada (aposta para a qual talvez não tivesse condições objectivas), acabou por ser vítima de alguma natural indecisão entre qual das competições privilegiar, acabando por se deixar naufragar em ambas quando o cansaço e as lesões se fizeram sentir num plantel curto e mal estruturado. Jogos como o de Aveiro, entalado entre o duplo confronto com o Espanhol, acabaram por se revelar determinantes na classificação final.
Fica a incógnita e o exercício especulativo sobre o que seria esta temporada caso em Dezembro tivesse sucedido o contrário, ou seja, o Sporting ter ganho ao Spartak de Moscovo e o Benfica ter perdido com o Copenhaga…

V de VELOSO – Miguel Veloso foi a grande revelação da temporada. O jovem médio leonino sentou o “capitão” Custódio e o experiente Carlos Paredes no banco, assumindo-se como um dos motores da sua equipa, quer em processo defensivo, quer em acções ofensivas, como ainda na final da Taça se pôde ver.
Tem qualidade técnica, escola táctica e planta física para se tornar um caso sério no futebol português. Como se não bastasse, tem em casa um excelente professor no que aos aspectos do profissionalismo diz respeito.

W de WILLIAM – O guarda-redes boavisteiro despediu-se das competições com uma época marcada por altos e baixos. Como alto mais alto de todos ficará seguramente uma das melhores exibições da sua carreira realizada no Estádio da Luz e que impediu o Benfica de assumir uma liderança, que não se sabe até que ponto depois perderia. Foi um jogo marcante na história da prova, e símbolo de uma maldição que se apoderou das balizas da Luz, e que teve outro episódio semelhante no confronto europeu com o Espanhol, sendo então Gorka Iraizoz o protagonista.

X de EMPATES – Os cinco empates em seis jogos que os leões cederam na dobragem do campeonato terão sido uma das chaves para explicar o facto de não terem sido campeões, mau grado a regularidade e o brilhantismo de grande parte da sua época. Curiosamente foi um outro empate, na Luz e em condições que aconselhariam um maior risco, que acabou por subtrair dois pontos que fariam, por si só, a diferença final. É claro que num campeonato decidido por um ponto, todos os “ses” são possíveis de imaginar, mas nos tempos que correm, cada vez mais, empatar é igual a perder.

Y de YANNICK – Era no início da época a grande coqueluche dos sportinguistas, muito por culpa dos dois golos que marcou ao Benfica na pré-época. Pelo ano fora não se pode dizer que tenha desiludido, mas também não deslumbrou. Ao contrário de Nani, Veloso e Moutinho, terá de mostrar muito mais, até convencer de se tratar de um jogador fadado para mais altos voos.

Z de ZANGAS – Com todos os episódios que relançaram o caso Apito Dourado para as páginas dos jornais, o presidente do F.C.Porto entregou-se a um silêncio que, prejudicando eventualmente aqui e ali o seu clube, foi tremendamente saudável para o futebol português, que pelos vistos, ao contrário do seu clube, muito terá a ganhar no dia em que ele o abandonar. Nem mesmo alguns momentos mais corrosivos de Luís Filipe Vieira chegaram para incendiar uma das épocas mais tranquilas de que há memória na história recente do futebol português.

2 comentários:

Anónimo disse...

LF

Estou de acordo com o geral da sua visão da Liga 2006/2007, em particular algumas apreciações estou totalmente de acordo, outras nem tanto

Quero falar da letra C de Cantera, estou de acordo com o que diz da cantera do SCP e do Paulo Bento, esta letra leva-me a pensar no nosso Benfica, o que é feito da nossa cantera, onde estão os nossos jogadores vindos da cantera do Benfica

Quando fala da apósta do treinador Paulo Bento, nos jogadores jovens, que ele conhece bastante bem, não tivesse sido ele treinador dos juniores do SCP, está a falar de um jovem treinador com muita ambição, sem medos de apóstar nos jovens, porque sabe que o futuro dos clubes de Portugal está na formação, correu o risco, de ter posto o seu lugar de treinador nas mãos (pés) nestes jogadores e ganhou o 2º lugar e a taça de Portugal

Ao contrario de outros treinadores, que dizem publicamente, que um jogador que venha de clubes do meio da tabela, não está preparado para jogar num grande, então um jogador que vem dos juniores está mais preparado, não percebo

Quero voltar de novo á cantera do Benfica, um clube que queira jogadres formados no clube, no seu plantel profissional, tem de apostar nesses jogadores, tem de os pôr a jogar, no banco não podem evoluir e demonstrar o seu valor, estou a criticar todos os Presidentes e treinadores do Benfica, desde a altura do Rui Costa, Abel Xavier, Paulo Madeira, Paulo Sousa e outros, que apareciam no Benfica e que eram bons

Por isto tudo, penso, que a cantera, só pode ser rentavel se o clube apostar nos seus jovens

LF disse...

Bem,
O que me parece é que o Benfica está numa fase de transição a este respeito.

O clube tinha uma formação razoável (talvez não tão boa como a do Sporting, mas próximo disso, como se pode ver por Rui Costa, Paulo Sousa etc.), e com Vale e Azevedo tudo foi desmantelado, com despedimento de treinadores e dispensa de centenas de miúdos (entre os quais curiosamente Miguel Veloso...).

Agora tem-se estado a fazer um esforço para a médio prazo ter a mesma rentabilidade que o Sporting tem conseguido, com a particularidade de se investir também bastante em jovens estrangeiros (à semelhança do Ajax), como são os casos de Patafta ou Dabao, entre outros.

Acontece que um investimento em formação não dá obviamente resultados imediatos. É preciso esperar alguns anos para se saber se se está a trabalhar bem ou não.
Não esqueçamos que o centro de estágio foi inaugurado esta época.

Penso que só dentro de uns 5 anos poderemos avaliar em rigor os passos que se estão a dar e o trabalho que se está a fazer. Até lá resta-nos confiar.

A propósito, este mês vem na revista "Futebolista" uma reportagem sobre a formação do Benfica.


Outro aspecto é o lançamento dos jovens na equipa principal, pós formação.
Aí parece-me que o Benfica tem andado mal. Apenas Camacho tentou colocar alguns a jogar, como Manuel Fernandes e João Pereira.
Julgo que jogadores como Rui Neréu, Bruno Aguiar, João Pereira, João Vilela, Fernando Alexandre, Tiago Gomes entre outros, poderiam ter tido mais apoio e oportunidades.
Assim vão-se perder, desmotivados e sem evoluirem, em equipas menores.
Algo que aconteceria também aos Velosos e aos Djalós se não lhes dessem oportunidade de jogar no Sporting.

Nesse aspecto concordo pois em absoluto com o seu comentário.